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MINHAS
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Filha de professores universitários, cresci no ambiente em que a educação sempre foi considerada o maior alicerce de emancipação de uma pessoa. Vi meus pais a vida inteira trabalhando dentro e fora de casa: preparando aula, corrigindo prova, atualizando o diário de classe, analisando atividades, montando transparências e slides (aqui revelo a minha idade). Meu primeiro emprego de carteira assinada foi como professora de inglês e há mais de uma década fundei a minha escola de marketing digital, Somos Digitais, que já impactou mais de 5.700 alunos em todos esses anos.

 

Uma educação de qualidade, inclusiva, e empreendedora é certamente a maior riqueza que podemos proporcionar às nossas crianças, jovens e adultos. Fiscalizando as 173 unidades municipais de educação pública de Cuiabá, e visitando escolas em todas as regiões de Mato Grosso, pude verificar que temos um grande problema de infraestrutura, capacitação continuada e valorização dos profissionais da educação.

 

O chão de escola varia muito de unidade em unidade, região em região. Nos últimos 8 anos o estado investiu em infraestrutura, substituindo as “escolas de lata” por unidades modernas, com áreas de esporte e lazer, que fazem muita diferença na vida dos profissionais da educação e dos alunos. Porém essas escolas-modelo ainda não são a realidade de 100% das nossas unidades de educação, portanto esse objetivo de renovação estrutural precisa continuar, até que nenhuma unidade tenha sido deixada para trás.

 

Precisamos adequar nosso modelo de educação ao novo Plano Nacional de Educação e ao Decreto 12.686/2025. Compreender que a educação no formato atual tem adoecido professores, permitido um crescimento assustador dos episódios de bullying (violência escolar), e que não atingiu ainda metas de inclusão satisfatórias, é primordial. Temos profissionais excepcionais, dedicados e comprometidos, porém carecemos de investimento estruturado nesse capital humano, para que possamos atender a realidade escolar dos novos tempos.

 

Nosso estado está no topo do ranking de violência doméstica, portanto isso significa que grande parte dos nossos alunos são afetados por essa realidade. Temos uma forte interferência de facções criminosas na vida das nossas comunidades. Além dessa realidade mais brutal, temos o atendimento educacional especializado carecendo de um programa estruturado que possa permitir a inclusão dos alunos neurodivergentes (TEA, TOD, TDAH, Dislexos), surdos, cegos, monoculares, baixa-visão, com paralisia cerebral, síndromes ou doenças raras, deficiências físicas, intelectuais e/ou múltiplas.

 

Minha missão de vida é lutar pela implementação de um novo modelo de educação, orientado para PESSOAS. AEE (Atendimento Educacional Especializado), equipe multiprofissional, profissionais de apoio, PAPE (professor de apoio pedagógico especializado), tecnologias assistivas, como a CAA (Comunicação Aumentativa Alternativa), padronização do estudo de caso, PAEE (Plano de Atendimento Educacional Especializado), PEI (Plano de Ensino Individualizado), além da implementação de salas de recurso multifuncionais e centros de atendimento educacional especializados decentralizados, que irão apoiar o desenvolvimento dos alunos no contra turno.

 

A carga da implementação da inclusão precisa sair das costas dos professores regentes, sendo fortalecida através do investimento em equipes multiprofissionais, fluxograma escolar estruturado, formação continuada e de uma ampla pactuação entre federação, estado e municípios. Os municípios não darão conta de percorrer esse caminho sozinhos, por isso a estruturação do programa estadual de atendimento educacional especializado é essencial para que possamos construir um fluxograma verdadeiramente eficaz, para que nossos alunos vivam em ambientes de socialização, aprendizagem e desenvolvimento humano integral.

Eu me tornei voluntária da rede de enfrentamento através do Movimento Conecta, estudei muito a temática, vivi as ações na prática, aprendi com ativistas, defensoras, promotoras, juízas, advogadas, psicólogas, assistentes sociais, e infelizmente também aprendi com as vítimas que sobreviveram e com os filhos e filhas daquelas que tiveram suas vidas interrompidas para sempre. Sou mulher, mãe de uma jovem de 22 anos, e sinto na pele o medo de ser mulher no nosso país. A violência contra crianças e mulheres é uma epidemia que assola o Brasil, não escolhendo classe social ou região, fato que não nos permite interromper a luta nem por um minuto.

Mato Grosso é um dos estados mais violentos contra crianças e mulheres do Brasil, que é o 5º país mais violento do mundo. Infelizmente estamos no topo do ranking de feminicídios e estupros de vulneráveis. Cuiabá conta com uma infraestrutura maior que o restante do estado, mas ainda assim estamos muito longe de ter um aparato condizente com as necessidades atuais. Mesmo compreendendo que o estado avançou com a criação do aplicativo SOS Mulher, a ampliação parcial da Patrulha Maria da Penha e o aumento de Delegacias e Núcleos especializados de atendimento à mulher, é preciso destacar que o orçamento segue muito abaixo do necessário.

A luta por leis mais rígidas através do Congresso Nacional é altamente necessária, sou a favor de prisão perpétua para feminicidas, tentantes de feminicídio, pedófilos e predadores sexuais, pois não acredito na possibilidade de recuperação destes indivíduos. Porém tenho convicção que estados e municípios devem fazer muito mais, afinal essas leis se aplicam apenas depois dos crimes consumados. Resolver 100% dos feminicídios não devolve a vida das nossas mulheres, por isso a urgência de políticas públicas concretas que atuem na prevenção e amparo.

É primordial que Mato Grosso, em parceria com os 142 municípios, invista no fortalecimento da rede de enfrentamento e implemente a política nacional de enfrentamento à violência, em seus 4 eixos:

A. Prevenção;

B. Assistência;

C. Enfrentamento/Combate;

D. Acesso e Garantia de Direitos.

Defendo que para cumprir os 4 eixos, o programa estadual de enfrentamento à violência contra crianças e mulheres deve ser estruturado por 16 pilares que descrevo abaixo:

1. Cumprimento ostensivo da lei federal 14.164/2021, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) tornando obrigatória a inclusão de conteúdos sobre prevenção da violência contra a mulher nos currículos da educação básica, abrangendo as redes públicas e privadas;

2. Campanhas permanentes de conscientização sobre os tipos de violência, penalidades e canais de denúncia são essenciais em locais de grande circulação, sejam eles públicos ou privados;

3. O fortalecimento e implementação de grupos reflexivos para homens é uma estratégia essencial para a responsabilização e reeducação de autores de violência doméstica. No estado de Mato Grosso existe o projeto “Papo de Homem para Homem” coordenado pela Polícia Civil e pelo Poder Judiciário, que atua na baixada cuiabana e deve ser ampliado para outras regiões do estado;

4. A disponibilização do botão do pânico nos 142 municípios, além do monitoramento dos agressores por meio de tornozeleira eletrônica, em 100% dos casos de medida protetiva;

5. Concurso público para as forças de segurança, para que o aumento de contingente humano seja garantido, nas fases de prevenção, acolhimento, amparo, proteção e garantia de direitos;

6. Investimento em delegacias especializadas (DEAMs) 24 horas em todas as regiões do estado, aumento do número de viaturas, armamento, dispositivos de proteção e tecnologias de monitoramento;

7. Unidades descentralizadas do IML – Instituto médico legal para atendimento qualificado das vítimas;

8. Ampliação e fortalecimento da Patrulha Maria da Penha em todas as regiões;

9. Instalação, aumento da abrangência e descentralização das “salas lilás” na rede SUS, regulamentadas pela lei federal 14.847/24, devendo oferecer atendimento humanizado e sigiloso para mulheres e meninas vítimas de violência, integrando suporte médico, psicológico e social;

10. Cumprimento da Lei do Minuto Seguinte, 12.845/2013 que garante que qualquer vítima de violência sexual tenha acesso imediato ao atendimento médico, psicológico e social nos dispositivos de saúde. Esse atendimento de urgência consiste em profilaxia para prevenir ISTs – Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV e gravidez, além do amparo multidisciplinar e encaminhamento aos órgãos de proteção e delegacias especializadas, protegendo a identidade e integridade da vítima;

11. Implementação da Casa da Mulher Brasileira (CMB), que se trata de um centro especializado de atendimento às mulheres vítimas de violência, que integra acolhimento, triagem, apoio psicossocial, delegacia, juizado, defensoria, ministério público, promoção de autonomia econômica, cuidado das crianças, brinquedoteca, alojamento de passagem e central de transportes. O principal objetivo é integrar o atendimento humanizado e especializado à vítima e seus filhos;

12. Casas de Amparo para as mulheres com medida protetiva e seus filhos, pelo tempo suficiente para que essa mulher possa se estabilizar e encontrar um endereço em que possa viver segura;

13. Programas de transferência de renda como auxílio aluguel, microcrédito e suporte para abertura de empresas, garantindo renda e autonomia financeira às mulheres vítimas de violência;

14. Investimento em uma política de diretrizes e apoio à mulher empreendedora;

15. Implementação de canais de atendimento de urgência e emergência para mulheres surdas que não conseguem pedir socorro pelos telefones 190, 180 ou 197.

16. Criação da Secretaria de Estado da Mulher, visando a organização e monitoramento da transversalidade no atendimento integral às mulheres no estado de Mato Grosso.

Quando uma de nós é morta, todas nós morremos um pouco, e todos os dias 4 mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil. Essas 16 diretrizes são fundamentais para transformar a nossa realidade, proporcionando um ambiente de mais segurança para nossas crianças e mulheres. Cada vez que uma violência acontece, somos impactados pela falência das nossas famílias, da sociedade e do estado, em realizar um enfrentamento robusto e concreto. Meu compromisso com a causa não me deixa dormir em paz, enquanto não mudarmos essa realidade dilacerante. Vale ressaltar que não se trata de uma causa de mulheres, devendo ser defendida por todos que não compactuam com essa estrutura social que fere e mata todos os dias. Juntos e juntas podemos mudar essa realidade!

Sendo filha de professores universitários e médicos, eu cresci frequentando unidades do SUS. Minha mãe é médica sanitarista e representou a delegação mato-grossense na fundação do Sistema Único de Saúde em 1988, anos mais tarde, em 2003, foi nomeada secretária de estado de saúde, sendo a única mulher que ocupou o cargo até os dias atuais. Fiz muita tarefa sentada no cantinho dos postinhos de saúde, enquanto minha mãe trabalhava. Meu pai é ginecologista e obstetra, cuiabano, nascido no Hospital Geral, passou mais de 40 anos realizando partos na maternidade em que nasceu e tantas outras da nossa capital. A universalidade da saúde é um conceito enraizado no meu coração, que defendo desde meus primeiros dias como parlamentar.

Assim que assumi na Câmara Municipal de Cuiabá, fiz questão de conhecer cada uma das 206 unidades de saúde da capital do estado. Encontrei muitos servidores apaixonados pelo que fazem, em contrapartida também encontrei cargos políticos incoerentes (o famigerado “cabidão” de empregos), uma infraestrutura extremamente precária, além da falta de medicamentos e insumos. Em uma das minhas fiscalizações mais importantes, no CDMIC (Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá) descobrimos toneladas de medicamentos vencidos em plena pandemia. Os mesmos medicamentos e insumos que faltavam nas unidades, estavam vencendo nas prateleiras do centro de distribuição. Essa fiscalização se desdobrou na CPI dos Medicamentos Vencidos que encaminhou ao Ministério Público Estadual o indiciamento de 42 pessoas.

A saúde do estado de Mato Grosso se desenvolveu de uma forma centralizada na capital (chamada popularmente de ambulancioterapia). Em um estado gigante, do tamanho de um país, essa realidade tem provocado sofrimento à população que vive em cidades mais distantes e consequentemente sobrecarrega o atendimento de saúde em Cuiabá. Um levantamento feito pela jornalista Mariana Pagno do G1, junto ao Tesouro Nacional e ao Ministério da Saúde apontou que mais de 27,1 milhões de brasileiros ou 12% da população, estão concentrados em municípios com pouca ou nenhuma assistência de saúde, o que leva moradores a se deslocar quando precisam fazer exames ou tratamentos. Nos hospitais públicos de Cuiabá, cerca de 60% dos pacientes internados residem em outros municípios do estado, isso significa que essas pessoas estão passando por seus tratamentos longe da família, sem o suporte adequado e sendo submetidas a longos e constantes deslocamentos.

Dignidade no SUS é uma pauta prioritária para o meu mandato, porque enxergo que através da saúde podemos cuidar melhor das nossas famílias. O fortalecimento da rede primária: UBS, USF, o postinho de saúde do bairro, aproxima as pessoas dos cuidados integrais, que previnem doenças mais severas com necessidade de atendimento ambulatorial e hospitalar. Acesso a exames clínicos, laboratoriais e consultas de rotina possibilitam o diagnóstico precoce de doenças como diabetes, hipertensão, câncer, obesidade mórbida, alcoolismo, vício em drogas, doenças psíquicas, deficiências intelectuais, múltiplas, síndromes ou doenças raras e condições do neurodesenvolvimento como TEA, TOD, TDAH e dislexia.

Mato Grosso precisa realizar a atualização da PPI (Programação Pactuada Integrada). A PPI no SUS é um instrumento de planejamento financeiro e de gestão que define quais serviços de saúde de média e alta complexidade serão oferecidos, onde serão realizados e quanto de recurso financeiro cada região ou município vai receber para oferecer esse atendimento para a população, com qualidade. A PPI de Cuiabá está defasada há cerca de 10 anos, isso significa que os repasses não cobrem os custos reais dos atendimentos de média e alta complexidade. A consequência é o endividamento da secretaria de saúde da capital, a precarização do atendimento e o aumento das filas de espera por exames, cirurgias e tratamentos.

Além da atualização do volume de repasse de recurso estadual para os municípios, se faz necessária a criação de um núcleo de suporte estadual para habilitação das unidades de saúde municipais junto ao governo federal para que possamos receber as verbas de custeio destinadas às unidades credenciadas. Esses recursos não pertencem à presidência da república, e não são uma ajuda de custo, na verdade eles são fruto dos impostos que o cidadão mato-grossense paga, que deveriam retornar na forma de investimento para o nosso estado, e não estão retornando porque grande parte das nossas unidades de saúde não estão habilitadas. Muitos municípios, inclusive a capital do estado, estão deixando de receber valores importantes porque não estão cumprindo os requisitos, não elaboraram os planos municipais ou sequer sabem que podem fazê-lo, por isso a necessidade de um suporte técnico por parte do estado nessa estruturação.

Além do fortalecimento da saúde municipal, a descentralização dos atendimentos de média e alta complexidade devem ser a prioridade dos próximos anos. O governo iniciou a implementação de 6 grandes hospitais:

1. Baixada Cuiabana: Hospital Central, inaugurado após 34 anos de paralisação das obras, com área de 32 mil metros quadrados, possui 287 leitos, incluindo 60 leitos de UTI, projetado para realizar 5.400 cirurgias, 31 mil consultas e 52 mil exames anuais. Hospital Universitário Júlio Müller, com 58 mil metros quadrados, será o maior hospital do estado, localizado na MT-040 entre Cuiabá e Santo Antônio do Leverger, construído em parceria com a UFMT, ampliará significativamente a assistência médica do SUS e a formação acadêmica de profissionais de saúde;

2. Alta Floresta: O Hospital Estadual do Alto dos Tapajós (a obra teve início em junho de 2022, ainda não foi entregue, é o hospital regional que está com as obras mais avançadas, cerca de 83%, investimento estimado de 163 milhões);

3. Confresa: O Hospital regional do Araguaia (a obra teve início em junho de 2022, ainda não foi entregue, investimento estimado de 134,6 milhões), conta com a previsão de mais de 150 leitos focados em zerar os vazios assistenciais da região;

4. Juína: O Hospital Regional de Juína (a obra teve início em maio de 2022 e ainda não foi entregue) quando em funcionamento tem como objetivo realizar os atendimentos de média e alta complexidade da região noroeste do estado;

5. Tangará da Serra: O Hospital Regional de Tangará da Serra (a obra teve início em junho de 2022, ainda não foi entregue, investimento estimado de 132,7 milhões).

Dos 6 hospitais previstos, apenas 1 foi entregue, complementando a rede hospitalar estadual em que temos os hospitais regionais de Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Cáceres. Vale destacar que a rede em funcionamento se encontra envelhecida, carecendo de investimento em reformas estruturais e equipamentos, sendo o mais crítico, o hospital regional de Cáceres que está enfrentando uma crise por conta da infraestrutura precária, e denúncias de improbidade administrativa por parte da OSS que administra o local.

Unir esforços para tornar a descentralização da saúde no estado de Mato Grosso é trabalhar para de fato proporcionar dignidade no SUS, e mitigar a necessidade do Tratamento fora de domicílio (TFD), em que pacientes com doenças crônicas, síndromes e/ou alguns tipos de câncer precisam se deslocar para outros estados para realizar tratamentos que podem durar a vida toda, ocasionando desgastes importantes na condição de saúde desses pacientes e de suas famílias.

Além de ser voz ativa nessa descentralização, uma das minhas maiores missões é lutar pela implementação do fluxograma da jornada do autista, das pessoas com deficiência, e/ou doenças raras na rede SUS do nosso estado. Tenho trabalhado nos últimos 4 anos na estruturação dessa jornada, de acordo com a vocação das unidades de atendimento de saúde pública, das possibilidades de estruturação e recursos, além do ponto focal que são as necessidades reais das nossas crianças, jovens e adultos neurodivergentes, com síndromes ou doenças raras e/ou com deficiências. Infelizmente fiscalizando Cuiabá e visitando municípios em todas as regiões do estado, pude confirmar que não estamos proporcionando um atendimento eficaz, atrasando diagnóstico e privando nossa população de terapias intensivas, contínuas e personalizadas, que são essenciais para o desenvolvimento dessas pessoas.

Há muito que ser feito, passei os últimos 4 anos fiscalizando, conhecendo, debatendo e aprendendo sobre o funcionamento adequado e eficiente da nossa rede de saúde. Fico feliz de você ter lido minha ‘carta aberta’ pela saúde pública do estado de Mato Grosso e acredito que juntos e juntas podemos ser agentes dessa transformação!

Sou cuiabana, filha de cuiabano, mãe de dois cuiabaninhos, mas posso afirmar que me tornei mato-grossense de verdade há 4 anos. E essa é a realidade de muitas pessoas que vivem nas diferentes regiões do estado, afinal Mato Grosso é do tamanho de um país, em que muitas vezes precisamos percorrer mais de 1000 km entre uma cidade e outra. Cresci frequentando as cidades da baixada cuiabana e a região Oeste, especialmente o município de Cáceres, em que passei boa parte das minhas férias na juventude. Não é de admirar que me casei com um cacerense, se quiser saber um pouco mais, acesse a MINHA HISTÓRIA.

Através dos projetos sociais, ‘Desmistificando o Autismo’ e ‘Movimento Conecta’ (de enfrentamento à violência contra crianças e mulheres) peguei a estrada e fui conhecer de perto a realidade de todas as regiões do nosso estado. Esse estradeiro me permitiu conhecer as dores, desafios, sotaques, e arquétipos culturais do nosso povo nas diferentes regiões. Estive presencialmente com mais de 15.000 pessoas, somando os dois projetos. Ouvi histórias, visitei unidades de saúde, de educação, de assistência social, associações, lavouras de pequeno, médio e grande porte, além de algumas prefeituras e câmaras de vereadores. Hoje posso dizer que sou uma cidadã mato-grossense de alma e coração.

Nessas andanças pude verificar que mesmo com todo avanço e conquistas, ainda vivemos desigualdades e problemas estruturais muito contrastantes. Muitas promessas antigas ainda não saíram do papel, e mesmo com um último governo que tirou o estado do vermelho, organizou as contas, investiu em estradas, pontes, e obras estruturantes significativas, muita gente ainda se sente deixada para trás.

Queremos viver em um estado gerador de emprego e renda para uma parcela maior da nossa população, proporcionando aumento da qualidade de vida em todas as regiões e camadas sociais. Mato Grosso é o único estado do país que abriga 3 biomas principais: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Possuímos uma das maiores biodiversidades do mundo, com uma fauna e flora abundantes, de beleza exuberante. Somos líderes absolutos em produção agrícola nacional, concentrando cerca de 30% da produção de grãos brasileira, com destaque para soja e algodão.

Porém toda essa riqueza ainda carece de investimentos importantes em turismo e agroindústria especialmente, além de melhores opções de escoamento, trafegabilidade, incentivos fiscais, e parcerias público-privadas. Temos um potencial gigantesco, que pode gerar oportunidades para todas as regiões do estado, atraindo investidores, aumentando postos de trabalho e oportunidades.

Diversos investimentos e entregas precisam ser concretizados, são obras e projetos que mobilizam a esperança de cidades inteiras e que serão capazes de alavancar diferentes regiões do nosso estado. Podemos citar o BRT na baixada cuiabana, a Ferrogrão, com cerca de 1.000 km que ligará as regiões produtoras de grãos do centro-norte de Mato Grosso aos portos do Arco Norte, no Pará, reduzindo drasticamente o custo do frete e o uso de caminhões nas estradas. A ZPE de Cáceres, inaugurada após 35 anos de expectativas, carecendo de operações industriais e comerciais efetivas, a finalização e entrega dos hospitais regionais, as obras da estrada de Chapada dos Guimarães, políticas de estímulo ao pequeno produtor, afinal vivemos um paradoxo configurando como maiores produtores de grãos e carne do país, porém importamos cerca de 60% dos hortifrutigranjeiros que consumimos.

O que une essas demandas? Todas elas impactam diretamente a vida de pessoas comuns: quem precisa de transporte público digno para chegar ao trabalho, quem aguarda anos por um diagnóstico, por acesso a terapias, uma cirurgia num hospital regional, ou padece pela falta de leitos de UTI. Quem sonha com empregos de qualidade, uma zona industrial na própria cidade, quem paga caro pelo frete em um escoamento logístico inadequado, ou até quem desiste de crescer pela falta de incentivos no beneficiamento de produtos brutos como acontece nos setores do agro e em setores menores como gestão de resíduos, que acabam sendo vendidos a preços módicos para estados vizinhos, devido a ausência de programas locais.

Mato Grosso para pessoas é o que queremos construir nos próximos anos, um estado rico, merece políticas que cuidem daqueles que mais precisam, que atue diretamente no fortalecimento das nossas famílias, na proteção das nossas crianças, na erradicação da violência doméstica, na inclusão escolar, na saúde descentralizada, na empregabilidade e consequentemente em uma vida mais feliz.